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Prefeitura Municipal de São Manuel - SP
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DR. ATHANAGILDO LEITE FERRAZ - 16/03/1934 a 31/05/1934

ATHANAGILDO LEITE FERRAZ nasceu em 18 de Fevereiro de 1896 em Santa Izabel do Rio Preto, município de Valença, Estado do Rio de Janeiro, filho de Fernando Antonio Ferraz e Wulcana de Araújo Leite Ferraz, sendo o segundo dos seis filhos homens do total de 24 filhos, dos quais 12 se criaram.


Seu pai, médico e também político certamente o influenciou nas decisões tomadas em relação a sua carreira profissional, mas foi da alma generosa de Dona Wulcana, onde extraiu seus sentimentos nobres no sentido do acolhimento aos mais necessitados.

 

Iniciou seus estudos na Escola primária local sob a regência do professor Alfredo Álvares de Macedo Coutinho, de quem guardou belas lembranças, apesar de sua rigidez no ensino e disciplina: concluiu o curso ginasial no Ginásio São Joaquim de Padres Salesiano em Lorena, Estado de São Paulo, dali se tornando apto para ingressar na Faculdade de Medicina, após um pequeno período no Colégio Paula Freitas. Em 1915 ingressou na Faculdade de Medicina - no Rio de Janeiro.


A gripe espanhola em 1918 assolou o Brasil e o eminente Dr. Carlos Chagas, recrutou no meio estudantil doutorandos, onde Atanagildo foi contemplado, e sendo aprovado no teste inicia seu trabalho no Grande Hospital Central, sendo assim sua primeira tarefa na carreira médica, destacando-se, foi escolhido para compor um grupo seleto de dez profissionais para prestar serviços em Belo Horizonte.


Como médico da Clínica Psiquiátrica da Praia Vermelha, torna-se testemunha de uma das mais intrigadas páginas da história política brasileira. Quando recebe no plantão, escoltado por dois policiais, um cidadão de nome Manso de Paiva, que estava sendo indiciado como louco por ter assassinado a punhaladas o líder político nacional Pinheiro Machado: interpelando perguntou ao cidadão se tentara matar o senador no que ouviu: "tentei não doutor, matei, pratiquei um ato de coragem atendendo os reclamos do povo”.


Em 1920 termina seu curso de medicina, tendo prestado serviços como interno em inúmeras clínicas. De sua turma podemos destacar, além de seu nome, os de Miguel Couto Filho, Brandino Correa, Plínio de Carvalho e tantos outros, e tendo em 1921 defendido com brilhantismo sua tese sobre o tema "Delírio Sistematizado Alucinatório Crônico".


Decidido a iniciar sua carreira profissional vai a Bauru, onde seus primos, também médicos, já se haviam instalado, mas não foi bem recebido, sendo aconselhado a ir para Aquidauana, no Mato Grosso, apresentado àquele que viria mais tarde ser seu sogro, assume a função de Diretor do Hospital da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, naquela cidade mato-grossense. Mas o espinho de um peixe Pacu, engasgado na garganta do Engenheiro Pandiá Calógeras, então Ministro da Guerra, fez a aproximação dos dois e, da aproximação, o convite para ser médico da Companhia Construtora de Santos, na construção do quartel de Aquidauana.


Em 31 de julho de 1922, se casa com Antonia, recém-chegada ao Rio de Janeiro. Sentia-se bem na cidade quando adoece e retorna com a esposa a sua terra, Santa Izabel do Rio Preto, na esperança de recuperar-se. Adquire a Fazenda Piratininga onde se instala.


Em 1924, a localidade foi atingida por um surto de meningite e sua presença ali foi importante no atendimento aos atingidos.


Nessa época se torna pai de duas filhas: Yone e Nilza. A pequena Santa Izabel do Rio Preto não comportava seus sonhos e resolve voltar para São Paulo, indo se instalar em São Manuel a conselho de seu primo morador em Bauru.


Próspera, porém pequena, São Manuel acolhe o novo morador, com ressalvas por parte dos médicos lá existentes, mas a impressão boa que tivera da cidade o faz lutar para ali fixar residência. Aluga uma casa e monta um consultório, bastante avançado para a época, enfrenta luta feroz e aos poucos vai vencendo o preconceito e se torna um médico respeitado na cidade.


Nesse período conhece o vereador Antonio Emílio de Barros, que vinha a ser o pai de Adhemar de Barros, médico, político influente e participante da Revolução Paulista Constitucionalista. Em 11 de Maio de 1932 é nomeado para exercer o cargo de Conselheiro Municipal de São Manuel. Em 10 de setembro de 1934 é nomeado prefeito da cidade pelo Interventor Federal Armando de Salles Oliveira, concomitantemente assume o cargo de chefe da Clínica do Hospital São Vicente de Paula.

 

Em São Manuel se torna pai de mais dois filhos: Gilka e Gildo, cansado, abatido pela doença que desde Aquidauana o acompanhava, volta para o Rio de Janeiro onde é operado. Em 1935 deixa o cargo de prefeito se retirando da cidade, retornando a sua Santa Izabel do Rio Preto.


Adquire então a Fazenda São José. A vida rural lhe agradava e a Fazenda Piratininga se tornara uma grande produtora do gado guernesey, se tornando fornecedor inclusive do Governo do Estado, mas a dificuldade de acesso o faz vendê-la a um amigo.

 

Na lida rural se envolve em um problema de fundamental importância para o desenvolvimento dos produtores da localidade, a construção de uma estrada que ligasse Santa Izabel do Rio Preto a Amparo, permitindo assim acesso a Barra Mansa e Volta Redonda, que já se despontava em razão da Companhia Siderúrgica Nacional.


À época era chefe do executivo fluminense Edmundo de Macedo Soares e a ele se dirigia no Palácio do Ingá, em Niterói, para solicitar essa importante obra, pleiteando ao Chefe do Executivo que fosse a Santa Izabel do Rio Preto, por Volta Redonda, e assim aconteceu. Em 24 de janeiro de 1936 é nomeado para o Conselho Consultivo do município de Valença, iniciando sua vida política no Estado do Rio.


Com a ajuda da população consegue abrir a estrada, conforme registra o jornal "O Clarim", de 30 de dezembro de 1947, e no dia 11 de julho de 1954 é inaugurada a rodovia com a presença dos prefeitos Luiz Almeida Pinto, de Valença, e João Chiesse Filho, de Barra Mansa. Em 03 de outubro de 1940, inaugura a Cooperativa de Leite de Santa Izabel do Rio Preto, sendo o seu primeiro presidente e na mesma data é lançada a Pedra Fundamental do Hospital. À frente da cooperativa se torna um líder na luta em defesa do cooperativismo obtendo, após a mobilização dos pecuaristas de outras localidades, que se promulgue legislação que permita o desenvolvimento do cooperativismo no estado.


Em 05 de outubro de 1947 é inaugurada a Telefônica Santa Izabel, sendo seu fundador e presidente, em tráfego mútuo com a Companhia Telefônica Brasileira. Em 1947 disputa o cargo de Deputado Estadual pela UDN se tornando primeiro suplente. Novamente volta a disputar o cargo de Deputado Estadual pelo PDC, também não logrando êxito.


Mas sua vida pública, sua longa carreira de luta em prol da coletividade, sua marca de líder leva o então governador Celso Peçanha, apesar de ser de outro partido, a nomeá-lo Diretor Secretário do Banco do Estado, tendo inclusive exercido a presidência do Banco. Em 1962 é candidato a Vice-Governador na chapa de Badger da Silveira, mas o voto em separado leva Badger ao Palácio, e elege o vice de outra chapa. Assume então a Secretaria de Agricultura do Estado a convite de Badger.


Como jornalista e escritor, foi membro do Grêmio Joaquim Nabuco em Lorena. Colaborou com o jornal de Aquidauana em Mato Grosso. Fundou em São Manuel, São Paulo, o jornal "O Liberal". Em 1946 fundou em Santa Izabel do Rio Preto o periódico "O Clarim". Como compositor teve arranjos musicais orquestrados pelo maestro Werther Lenzi.


Em 24 de Março de 1956 tomou posse na Academia Valenciana de Letras na cadeira 46. Em 1954 participa da fundação da Sociedade Amigos de Santa Izabel, primeiro passo para a construção e instalação do Ginásio que foi doado ao Estado.


Foi agraciado com o título de Cidadão Volta Redonda, de acordo com decisão da Câmara Municipal daquela cidade.


Faleceu em 12 de junho de 1993, aos 97 anos de uma vida profícua na medicina, na política, nas artes. Generoso, dedicado à causa pública, sempre estava presente às iniciativas que atendesse ao relevante interesse da coletividade.


Com seu espírito aventureiro e desbravador, marcou sua presença, por onde esteve, tenha sido em Aquidauana em Mato Grosso, em São Manuel em São Paulo, no Rio de Janeiro e, principalmente, em sua amada terra Santa Izabel do Rio Preto.


Um verdadeiro gênio a quem o Supremo Arquiteto concedeu a dádiva da inteligência, a sensibilidade do artista, a dedicação do médico, a coragem do político e de empresário. Mas, segundo suas próprias palavras, "A vida sem ideal construtor nada vale, porque, só vale a vida pelo útil que dela emana em benefício da sociedade".

 

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Por Eduardo Ayres Delamonica

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